Mudança pode atingir 14,8 milhões de empregos formais e exigirá adaptações no comércio, na indústria e no setor de serviços.
O Congresso Nacional promulgou, em 16 de outubro de 2026, a Emenda Constitucional 141, que estabelece o fim da escala 6×1 e reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial.
A mudança representa uma das maiores alterações nas regras de jornada de trabalho desde a Constituição de 1988.
Segundo levantamento baseado em dados do Ministério do Trabalho e Emprego, aproximadamente 14,8 milhões de empregos formais, equivalentes a 29,9% do total, utilizavam a escala 6×1 em dezembro de 2025.
Quando começam as mudanças?
A transição ocorrerá em duas etapas:
- Dezembro de 2026: jornada máxima de 42 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado.
- Dezembro de 2027: redução definitiva para 40 horas semanais, mantendo os salários.
As folgas não precisam ocorrer necessariamente aos finais de semana. A legislação também permite regimes compensatórios excepcionais mediante negociação coletiva, respeitadas as condições constitucionais.
O impacto financeiro para as empresas
Com menos horas trabalhadas e salários preservados, o custo por hora de trabalho aumenta.
Na passagem de 44 para 40 horas, o valor da hora normal sobe 10%. Isso não significa aumento automático de 10% na folha salarial, mas pode elevar despesas com horas extras e contratações para manter a operação.
Supermercados, restaurantes, farmácias, hotéis e outros estabelecimentos que funcionam diariamente estarão entre os negócios que precisarão revisar suas escalas.
Empresas poderão enfrentar três desafios principais: garantir cobertura dos turnos, controlar despesas com pessoal e preservar a produtividade.
Para pequenos negócios, com margens financeiras mais limitadas, a adaptação poderá ser especialmente difícil. A emenda permite a criação de medidas transitórias específicas, mas elas dependem de legislação complementar.
Produtividade será decisiva
A nova jornada também pode acelerar investimentos em automação, treinamento de equipes e melhoria de processos.
O governo federal já sinalizou a preparação de linhas de crédito e programas de capacitação para apoiar empresas afetadas, embora as condições ainda não tenham sido detalhadas.
Para os trabalhadores, a mudança amplia o tempo disponível para descanso, família e qualificação profissional. Para os empregadores, abre uma nova etapa na gestão de pessoas e na organização do trabalho.
O desafio econômico será produzir e atender com a mesma eficiência, utilizando menos horas de trabalho, sem comprometer a sustentabilidade dos negócios.
Fontes verificadas: EC 141/2026, texto oficial; Agência Câmara; levantamento sobre 14,8 milhões de vínculos e anúncio de apoio às empresas publicados pela Folha de S.Paulo em outubro de 2026.

