O Brasil emplacou 267.706 híbridos de janeiro a setembro de 2026. BYD lidera, a Toyota tenta preservar a terceira posição e a Omoda Jaecoo se aproxima rapidamente. Os números revelam uma indústria em transformação.
Em nove meses, 267.706 veículos híbridos foram emplacados no Brasil. No mesmo período de 2025, eram 138.383.
O salto foi de 93,45%. Na prática, são 129.323 emplacamentos a mais em um ano.
Mas a transformação mais interessante aparece quando se olha para quem está conquistando esse mercado. BYD e GWM ocupam as duas primeiras posições. A Toyota ainda é a terceira, mas a Omoda Jaecoo está apenas 447 veículos atrás no acumulado.
Três números para entender a mudança
| Dado | O que representa |
|---|---|
| 267.706 | Híbridos emplacados no período |
| +93,45% | Crescimento sobre janeiro–setembro de 2025 |
| 54,10% | Fatia somada de BYD, GWM e Omoda Jaecoo |
As três fabricantes chinesas, juntas, contabilizaram 144.822 veículos. É mais da metade de todos os híbridos registrados no recorte da Fenabrave.
Ranking das 15 marcas mais emplacadas até setembro de 2026
| Posição | Montadora | Emplacamentos | Participação |
|---|---|---|---|
| 1º | BYD | 65.890 | 24,61% |
| 2º | GWM | 44.524 | 16,63% |
| 3º | Toyota | 34.855 | 13,02% |
| 4º | Omoda Jaecoo | 34.408 | 12,85% |
| 5º | Fiat | 23.551 | 8,80% |
| 6º | Jeep | 14.826 | 5,54% |
| 7º | Jetour | 6.504 | 2,43% |
| 8º | Geely | 6.171 | 2,31% |
| 9º | Mercedes-Benz | 5.149 | 1,92% |
| 10º | Leapmotor | 4.407 | 1,65% |
| 11º | Caoa Chery | 3.841 | 1,43% |
| 12º | BMW | 3.331 | 1,24% |
| 13º | Denza | 3.197 | 1,19% |
| 14º | GAC | 3.196 | 1,19% |
| 15º | Peugeot | 2.773 | 1,04% |
Fonte: Fenabrave, Informativo de Emplacamentos, edição 285, página 22. Acumulado de janeiro a setembro de 2026.
1. BYD lidera, mas a concorrência também ganhou escala
De cada 100 híbridos emplacados no Brasil de janeiro a setembro, aproximadamente 25 foram da BYD.
Com 65.890 unidades, a montadora lidera o ranking, à frente da GWM, com 44.524. A distância entre elas é de 21.366 veículos.
Somadas, as duas já representam 41,24% dos emplacamentos de híbridos. É uma participação expressiva em um segmento que também atrai fabricantes tradicionais e novas concorrentes.
2. A disputa mais apertada está entre Toyota e Omoda Jaecoo
O terceiro lugar da Toyota parece sólido à primeira vista. Os números de setembro contam outra história.
| Período | Toyota | Omoda Jaecoo |
|---|---|---|
| Janeiro a setembro | 34.855 | 34.408 |
| Somente setembro | 3.470 | 6.495 |
O detalhe decisivo: a Toyota mantém vantagem de apenas 447 veículos no acumulado, embora a Omoda Jaecoo tenha registrado 3.025 emplacamentos a mais no mês de setembro.
Uma fotografia mensal não determina o resultado do ano. Mas ajuda a identificar quem ganhou força na reta final do período analisado.
3. Fiat e Jeep mostram que há mais de um caminho para eletrificar
Nem toda a disputa acontece entre fabricantes chinesas.
A Fiat aparece em quinto lugar, com 23.551 emplacamentos, e a Jeep em sexto, com 14.826. Juntas, somam 38.377 veículos, ou 14,34% do segmento.
Há uma ressalva importante: algumas montadoras utilizam sistemas micro-híbridos (MHEV), que auxiliam o motor a combustão, mas não movem o carro exclusivamente com tração elétrica. Outras apostam em híbridos convencionais (HEV) ou híbridos recarregáveis na tomada (PHEV).
Portanto, estar no mesmo ranking não significa oferecer a mesma tecnologia.
4. O próximo campo de disputa vai além da motorização
Os dados revelam um mercado concentrado: BYD, GWM, Toyota e Omoda Jaecoo respondem juntas por 67,12% dos híbridos emplacados nos nove primeiros meses de 2026.
Para a indústria, isso amplia a pressão competitiva em quatro frentes:
- Portfólio: oferecer modelos e tecnologias para diferentes perfis de consumidores.
- Preço e financiamento: disputar o custo total de aquisição, não apenas a ficha técnica.
- Rede de atendimento: transformar crescimento de vendas em confiança no pós-venda.
- Operação no Brasil: ganhar eficiência em produção, distribuição e disponibilidade de peças.
Esses são os fatores estratégicos que podem determinar quem sustenta a liderança quando o crescimento do mercado se tornar menos acelerado.
O dado central: o Brasil não está apenas emplacando mais híbridos. Está assistindo a uma redistribuição de espaço entre montadoras tradicionais e concorrentes que avançam em ritmo intenso.
Como ler corretamente esses dados
O total de 267.706 corresponde aos híbridos contabilizados pela Fenabrave entre janeiro e setembro de 2026, incluindo micro-híbridos. Não representa o número histórico de todos os híbridos já vendidos no país.
A ABVE usa metodologia diferente: considera BEV, PHEV, HEV e HEV Flex como eletrificados, excluindo os MHEV por não oferecerem tração elétrica autônoma. Por isso, os totais das duas entidades não devem ser comparados diretamente.
Fontes e recorte

