10 dicas para começar a empreender no Brasil e evitar erros que custam caro

Negocios News
14 min de leitura

Orientações para conquistar os primeiros clientes, calcular preços e organizar uma operação que consiga cumprir o que promete.

Uma agenda cheia e dinheiro entrando dão a sensação de que o negócio está indo bem. Mas um preço mal calculado, um pagamento atrasado ou uma contratação precipitada podem consumir o resultado de semanas de trabalho.

Para quem está começando a empreender, a qualidade das primeiras decisões faz diferença. É nessa fase que se define quem será atendido, quanto cobrar, como entregar e quais despesas a empresa consegue assumir.

As dez orientações a seguir ajudam a transformar essas decisões em tarefas concretas. Os exemplos financeiros são hipotéticos e servem para explicar os cálculos.

1. Descubra quem tem um problema que você consegue resolver

Antes de investir em uma loja, equipamentos ou estoque, converse com pessoas que poderiam contratar você. Procure entender o que elas já compram, quanto gastam e o que as incomoda nas soluções disponíveis.

Existe apenas uma definição válida para o propósito de um negócio: criar um cliente.

Peter Drucker

Imagine alguém que pretende vender marmitas. Conversar com trabalhadores da região pode revelar que a maior dificuldade é receber o almoço no horário. Essa informação ajuda a definir a oferta e a rota de entrega, além do cardápio.

Na prática: como primeiro teste, converse com dez possíveis clientes. Pergunte sobre a última compra que fizeram, o problema que tiveram e como o resolveram. Depois, teste uma oferta pequena, com preço e prazo definidos e a operação regularizada. Observe quantos realmente compram. Elogios à ideia ajudam, mas uma compra oferece uma evidência mais concreta de interesse.

2. Calcule o que sobra de cada venda antes de definir o preço

Copiar o preço do concorrente deixa uma parte importante da decisão sem resposta: a sua empresa consegue entregar por esse valor e pagar suas próprias contas?

Comece pelos gastos que acompanham cada venda, como mercadoria, embalagem, comissão, taxas e impostos aplicáveis. A diferença entre o preço e esses gastos é a margem de contribuição. Ela ajuda a pagar os custos fixos e, depois de cobertos todos os gastos, a formar o lucro. sebraemg.com.br

Veja um exemplo simplificado:

Item por unidadeValor
Preço de vendaR$ 100
Custo da mercadoriaR$ 60
Taxas e impostos sobre a vendaR$ 10
EmbalagemR$ 5
Margem de contribuiçãoR$ 25

Nesse exemplo, cada unidade contribui com R$ 25 para pagar os custos fixos. Se eles totalizarem R$ 2.500 por mês e a empresa vender apenas esse produto, serão necessárias 100 unidades para cobri-los. O faturamento de R$ 10 mil, nesse ponto, ainda não representa lucro.

Na prática: faça essa conta para cada produto ou serviço. Inclua o tempo de execução na análise dos serviços e recalcule a margem antes de conceder descontos. Um pedido maior só interessa quando a condição negociada faz sentido para a empresa.

3. Separe o dinheiro da empresa das suas despesas pessoais

Quando o mesmo dinheiro paga o fornecedor e o supermercado da família, fica difícil enxergar o resultado do negócio. A empresa pode parecer lucrativa porque recebeu um aporte do dono, ou ficar sem recursos porque houve retiradas sem planejamento.

O Sebrae-SP recomenda manter contas separadas e estabelecer uma remuneração pelo trabalho do empreendedor, o pró-labore, para evitar retiradas indiscriminadas. Agência Sebrae de Notícias

Na prática: use uma conta exclusiva para movimentar o negócio. Defina uma retirada compatível com o caixa e com as obrigações da empresa, buscando orientação contábil para o tratamento correto. Registre qualquer dinheiro colocado pelo dono separadamente das receitas de vendas. Faça o mesmo com as retiradas.

Se precisar de R$ 3 mil por mês para suas despesas pessoais, inclua essa necessidade no planejamento. O negócio precisa ser avaliado considerando também a remuneração de quem trabalha nele.

4. Saiba quando o dinheiro entra e quando precisa sair

O saldo disponível hoje não mostra todas as contas que vencerão amanhã. Por isso, o controle financeiro precisa incluir pagamentos e recebimentos futuros.

Imagine que você pague um fornecedor em 15 dias e receba do cliente em 45. Durante esse intervalo, a empresa terá de financiar a operação. Mesmo uma venda lucrativa pode criar dificuldade se faltar dinheiro para cumprir os compromissos.

O capital de giro sustenta essas necessidades do funcionamento do negócio. O valor necessário depende, entre outros fatores, dos prazos de pagamento, do estoque e do recebimento das vendas. Sebrae/SC

Na prática: monte uma previsão de caixa para os próximos 30 dias. Registre o saldo inicial, os recebimentos previstos e cada pagamento na sua data. Diferencie vendas confirmadas de receitas que ainda são estimativas. Atualize o controle diariamente e, antes de assumir uma despesa, confira o saldo projetado para o vencimento.

Se aparecer uma falta de recursos, você ganha tempo para negociar prazos, rever compras ou ajustar as condições oferecidas aos clientes.

5. Confira as regras da atividade antes de comprometer seu dinheiro

O tipo de negócio influencia o enquadramento da empresa, a emissão de notas e as exigências de funcionamento. O enquadramento como MEI, por exemplo, depende da ocupação exercida e de outros requisitos, como faturamento e estrutura permitida.

O Portal do Empreendedor orienta verificar se a descrição da ocupação corresponde à atividade realizada e conferir as exigências municipais, do Corpo de Bombeiros e da Vigilância Sanitária, conforme o caso. Empresas & Negócios

Na prática: antes de assinar um aluguel ou comprar equipamentos, confirme se a atividade pode funcionar naquele endereço e quais regras se aplicam. Consulte os canais oficiais e leve ao contador uma descrição clara do que venderá, como atenderá e quanto pretende faturar.

Peça também uma relação das obrigações, dos custos e dos prazos. Coloque esses compromissos no calendário e no orçamento. Assim, a estrutura escolhida acompanha o funcionamento real da empresa desde o começo.

6. Coloque a venda na agenda e acompanhe cada oportunidade

Uma empresa pode publicar todos os dias e continuar sem uma rotina comercial. Para vender com constância, é preciso acompanhar quem demonstrou interesse, enviar propostas claras e combinar os próximos contatos.

Na prática: reserve um horário diário para cuidar das vendas. Em uma planilha, registre o nome do interessado, o que ele procura, a proposta enviada, a data do próximo contato e o resultado. Retome a conversa no prazo combinado, sem insistência excessiva.

Se 20 pessoas pediram informações, dez receberam orçamento e duas compraram, investigue onde a negociação perdeu força. A resposta pode estar em um prazo inadequado, uma proposta confusa ou uma demora no atendimento. Descobrir a causa ajuda a escolher a correção.

Depois da entrega, confirme se o combinado foi cumprido e resolva eventuais problemas. Quando houver uma necessidade recorrente, combine com o cliente a possibilidade de um novo contato. Esse acompanhamento cria uma rotina de relacionamento que vai além do primeiro pedido.

7. Escreva como as tarefas essenciais devem ser feitas

Se cada orçamento, pedido ou entrega depende de uma explicação diferente do dono, a operação fica vulnerável a esquecimentos e retrabalho. Comece registrando as tarefas que mais se repetem ou que já provocaram erros.

Um bom processo serve a você para que você possa servir aos clientes.

Jeff Bezos

Na prática: escolha uma tarefa importante e escreva uma lista curta de conferência. Na entrega de um pedido, por exemplo, confirme os itens, o endereço, o prazo, o pagamento e a necessidade de nota fiscal. Defina quem confere cada etapa.

Quando houver equipe, peça a outra pessoa para executar a tarefa usando a orientação. Se ela precisar interromper o trabalho várias vezes para perguntar, ajuste o documento. Revise o procedimento quando surgir uma falha ou uma maneira melhor de trabalhar. O processo precisa ajudar a entregar bem.

8. Contrate para uma necessidade clara e ensine o padrão esperado

A primeira contratação deve resolver uma necessidade identificada. Antes de procurar alguém, descreva as tarefas, a frequência com que precisam ser feitas e o resultado esperado.

Uma grande visão sem grandes pessoas é irrelevante.

Jim Collins

Na prática: descreva a função e avalie os candidatos com critérios relacionados ao trabalho. Para atendimento, use uma situação simulada de reclamação. Para organização de pedidos, peça que expliquem como confeririam uma entrega. A indicação de alguém conhecido pode abrir uma conversa, mas a decisão precisa considerar a capacidade de executar a função.

Calcule o custo completo da contratação, incluindo remuneração, encargos, benefícios aplicáveis, equipamentos e treinamento. Na entrada, explique as tarefas e acompanhe a execução. Combine resultados observáveis, como cumprir prazos e reduzir erros, e dê retorno sobre o trabalho.

Delegar funciona melhor quando a pessoa entende o que deve entregar e dispõe dos meios para fazê-lo.

9. Confira se a operação atual sustenta o próximo investimento

Um mês forte de vendas merece ser analisado antes de virar um compromisso permanente. Uma nova unidade, um equipamento financiado ou mais estoque aumentam as necessidades da empresa.

Na prática: antes de expandir, confira se a demanda se repete, se as entregas mantêm a qualidade e se o caixa suporta a mudança. Calcule quanto o investimento acrescentará às despesas e qual volume adicional de vendas será necessário para cobri-las.

Faça também uma simulação com vendas 20% abaixo do previsto. Esse percentual é apenas um cenário de teste: o objetivo é descobrir se a empresa conseguiria pagar seus compromissos em um mês mais fraco.

Se houver pedidos atrasados, perdas frequentes ou falta de controle do estoque, trate essas causas antes de ampliar a estrutura. A expansão deve partir de uma operação que você já consegue acompanhar e de uma demanda que tenha razões concretas para esperar.

10. Busque ajuda com uma dúvida concreta e aplique o aprendizado

Uma conversa com alguém experiente fica mais útil quando você leva números e uma decisão específica. Em vez de pedir orientações genéricas para crescer, apresente o problema que precisa resolver.

Você pode levar ao contador uma previsão de faturamento e dúvidas sobre o enquadramento. Ao Sebrae, pode apresentar a formação do preço e pedir orientação sobre os controles financeiros. A um empresário do mesmo setor, pode explicar um problema de estoque ou de atendimento.

Na prática: escolha um problema por mês para estudar. Se os clientes desistem após receber o orçamento, revise a proposta. Se o caixa aperta apesar das vendas, examine custos e prazos. Registre o que mudou e acompanhe o resultado.

Ao escolher conselheiros ou parceiros, procure experiência relevante para a sua atividade e considere os interesses de quem recomenda uma solução. O melhor aprendizado para esse momento é aquele que ajuda você a tomar uma decisão mais bem fundamentada.

Uma rotina simples para colocar as dicas em movimento

Você pode começar com esta agenda e adaptá-la ao volume de trabalho:

FrequênciaO que acompanhar
Todos os diasRegistrar entradas e saídas, conferir entregas e dar andamento aos contatos comerciais.
Toda semanaRevisar o caixa dos próximos 30 dias, os orçamentos sem resposta e os erros da operação.
Todo mêsConferir o resultado, as margens, o estoque e as despesas assumidas.

Use essa revisão para escolher a próxima ação. Se as vendas aumentarem e o caixa piorar, investigue preços, prazos e estoque antes de ampliar a estrutura. Se houver muitos orçamentos e poucos pedidos, descubra por que os clientes desistiram e ajuste a proposta. O controle passa a valer quando muda uma decisão do negócio.

As citações de Peter Drucker, Jeff Bezos e Jim Collins foram traduzidas do inglês.

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